Relatório de diagnóstico lumínico e termoenergético
Avaliação do empreendimento
Resumo dos Resultados:
Os resultados detalhados por unidade/ambiente estão disponíveis no item 4 deste relatório.
| Sistema de análise |
Nível de atendimento |
| NBR Térmico 15.575:2024 |
|
| NBR Lumínico 15.575:2024 |
|
Composição construtiva considerada para os resultados obtidos:
* As propriedades térmicas dos materiais seguem o estabelecidos pela NBR 15.220 (2023) e NBR 15.220 (2005b), conforme disponibilidade.
O trabalho de consultoria em questão avalia o empreendimento em relação ao desempenho térmico, energético e luminoso da edificação por meio de simulação computacional por base nas Normas de Desempenho ABNT NBR 15.575:2024 (ABNT, 2024) para o desempenho lumínico natural e ABNT NBR 15.575:2024 (ABNT, 2024) para o desempenho térmico, além de analisar as condições exteriores de incidência de radiação solar. Para garantir a qualidade das avaliações, estamos sempre em constante evolução dos nossos processos, produtos e serviços. Por isso, nossas estratégias computacionais de simulação e os formatos dos entregáveis são constantemente revisados por nosso corpo técnico.
A partir de 2022, com a validação e qualificação por parte do corpo técnico da Hygge, passamos a elaborar nossas análises de desempenho térmico, energético e luminoso em um único ambiente de modelagem e simulação, contando com os motores de simulação EnergyPlus e Radiance, que são amplamente reconhecidos na academia e na indústria. E passamos a oferecer avaliações por meio de inteligência artificial, utilizando algoritmos evolutivos e machine learning para dimensionar sistemas, composições, formas geométricas e dispositivos.
Continuaremos aprimorando nossas técnicas e acompanhando as tendências e tecnologias nacionais e internacionais para contribuir ainda mais com a qualidade e desempenho das edificações projetadas pelos arquitetos parceiros para nossos clientes. Além disso, estamos comprometidos em fornecer soluções sustentáveis e eficientes para o setor da construção civil.
2.
Objetivos da avaliação
O objetivo deste estudo é a avaliação termoenergética e lumínica do empreendimento
, seguindo os preceitos da NBR 15.575:2024.
2.1.
Objetivos específicos
2.1.1.
Avaliação de Desempenho Lumínico conforme NBR 15.575:2024
-
Verificar o nível de atendimento de desempenho lumínico conforme NBR 15.575:2024.
2.1.2.
Avaliar o Desempenho Térmico conforme NBR 15.575:2024
-
Verificar o nível de atendimento de desempenho térmico conforme NBR 15.575:2024.
2.1.3.
Avaliar o entorno imediato do empreendimento
-
Analisar as incidências de radiação direta e difusa considerando a quantidade de
horas de sol incidente.
-
Analisar a energia proveniente do sol (kWh/m²) que incide no empreendimento.
Este estudo foi conduzido seguindo uma metodologia estruturada em três etapas: (a) análise e modelagem do empreendimento, (b) simulação computacional para o desempenho lumínico natural e (c) simulação computacional para o desempenho térmico. Essa abordagem rigorosa nos permitiu obter resultados precisos e confiáveis, o que é essencial para o mercado de construção civil. Ao seguir as melhores práticas de pesquisa científica e utilizar as ferramentas e técnicas adequadas, podemos garantir que os resultados aqui apresentados possam ser aplicados na prática, permitindo aos profissionais do mercado de construção civil tomar decisões mais qualificadas e acertadas na elaboração e avaliação de empreendimentos imobiliários.
3.1.
Análise e modelagem do empreendimento
Com base nas premissas apresentadas, o presente trabalho de consultoria realizou a modelagem tridimensional do empreendimento utilizando a ferramenta computacional Rhinoceros 3D, software de propósito geral na representação de formas geométricas tridimensionais e que através do seu plugin Grasshopper possibilita eventuais ajustes na edificação de maneira paramétrica (DE SOUZA FREITAS et al., 2020). Cada ambiente projetado foi representado como uma zona térmica, possibilitando a avaliação das temperaturas internas operativas, cargas térmicas ideais nos períodos de pico, o percentual de horas na faixa de temperatura e a quantidade de lux no ponto central dos ambientes. O objetivo é garantir a fidelidade às áreas internas e seus volumes, contemplando as diferentes tipologias presentes na edificação, os elementos externos de proteção, o entorno imediato e outras condições que contribuem para a precisão do projeto.
Informações técnicas obtidas para o volume simulado
AQUI TABELA
3.2.
Simulação computacional para o desempenho lumínico natural
Para realização das simulações computacionais, faz-se necessário compreender as
características impostas pela NBR 15.575:2024 no que diz respeito ao desempenho lumínico natural.
3.2.1.
Análise lumínica natural segundo a NBR 15.575:2024
Para avaliar a iluminação natural dos ambientes a simulação foi realizada no software Rhino,
com uso do plugin Honeybee (Radiance).
Em conformidade com a NBR 15.575:2024, cria-se um ponto central em
cada ambiente, à 75cm de elevação do piso, considerando as portas internas abertas e
janelas com dimensionamento de projeto para, então, avaliar o nível de iluminância (lux)
nesses pontos em 4 momentos distintos do ano:
23 de abril, 09h30 / 23 de outubro, 09h30
23 de abril, 15h30 / 23 de outubro, 15h30
Para uma melhor compreensão, é importante destacar que, de acordo com a NBR 15.575:2024, os dias utilizados na análise devem ter uma nebulosidade média (índice de nuvens em torno de 50%). Para isso, é necessário obter dados climáticos que representem essas condições. Nesse sentido, para avaliação da iluminação natural, utiliza-se o CIE Standard Sky, que é um modelo matemático que representa o comportamento da luz solar em diferentes condições climáticas (LI et al., 2014). Para essa análise em específico, é considerado o tipo de céu 'Intermediate with Sun', que representa um dia ensolarado com nebulosidade intermediária. Este cenário de avaliação está em congruência com o modelo estabelecido pelo algoritmo da NBR 15.215-3 DE 03:2005 (ABNT, 2005a).
A NBR 15.575:2024 exige para os ambientes de permanência prolongada (APPs), um nível mínimo de 60
lux, intermediário de 90 lux e superior de 120 lux.
Nível de atendimento para cada ambiente em relação à NBR 15.575:2024
| Ambiente |
Iluminamento geral para os níveis de desempenho (lux) |
| Mínimo |
Intermediário |
Superior |
| Sala de estar |
≥60 lux |
≥90 lux |
≥120 lux |
| Dormitório |
| Copa/cozinha |
| Área de serviço |
| Banheiro |
Não exigido |
≥30 lux |
≥45 lux |
| Corredor ou escada interna à unidade |
| Corredor de uso comum |
| Escadaria de uso comum |
| Garagens/estacionamentos |
NBR 15.575:2024 Tabela E.3
A NBR 15.575:2024 apresenta também uma condição específica para pavimentos térreos e/ou abaixo
do nível da rua, onde situações com iluminância até 20% abaixo do limite estabelecidos
para os níveis mínimo, intermediário e superior da NBR 15.575:2024
podem ser consideradas como ambientes em conformidade. Portanto, ambientes dos
pavimentos térreos com quantidade maior ou igual à 48 lux atendem à NBR 15.575:2024.
3.3.
Simulação computacional para o desempenho térmico
Assim como apresentado acima para avaliação lumínico natural, o processo de simulação computacional termoenergético segundo a NBR 15.575:2024 segue o procedimento apresentado a seguir.
3.3.1.
Análise termoenergética segundo a NBR 15.575:2024
Como instrumento normativo para a análise térmica, a NBR 15.575:2024 estabelece um
padrão de composição construtiva de referência (modelo de referência) no qual os resultados
de simulação são comparados com os resultados do projeto proposto (modelo real).
O modelo de referência deve apresentar uma composição construtiva conforme indicado:
| Sistema construtivo |
Material |
| Paredes externas |
| Paredes de concreto |
Concreto 10cm |
| Paredes internas |
| Paredes de concreto |
Concreto 10cm |
| Lajes |
| Lajes de concreto |
Concreto 10cm |
| Laje de Cobertura |
| Telhamento |
Fibrocimento 6mm |
| Ar |
Câmara de ar |
| Laje de Concreto |
Concreto 10cm |
| Vidro (U 5.6 FS 0.76 TL 0.87) |
Vidro simples incolor |
| Área de abertura |
17% da área de piso |
| Abertura para ventilação |
45% |
| Sombreamento |
Não considera os elementos de sombreamento do edifício, apenas o sombreamento do entorno. |
O modelo real apresenta uma composição construtiva conforme indicado:
* As propriedades térmicas dos materiais seguem o estabelecidos pela NBR 15.220 (2023) e NBR 15.220 (2005b), conforme disponibilidade.
As características de ocupação, iluminação e equipamentos são comuns para todos os
modelos/cenários, seguindo as informações disponibilizadas na NBR 15.575:2024.
Considerou-se o padrão de ocupação de 2 pessoas por dormitório, a densidade de potência instalada de iluminação (DPI) de 5.0 W/m² para dormitórios e salas, e para os equipamentos foi adotada a taxa de 120W para salas e ambientes de uso misto, com fração radiante de 0,30. De maneira complementar, os horários de aplicação dos elementos acima seguem o formato proposto nas Tabelas 13, 15 e 17 da NBR 15.575:2024 (ABNT, 2024).
Foram utilizados, de maneira complementar, os softwares Rhinoceros, Ladybug Tools e
EnergyPlus 22.2 de 27 de setembro de 2022 para uma compreensão e análise adequada do
modelo de projeto.
Procedimento da avaliação térmica por simulação para atender ao nível mínimo:
Procedimento da avaliação térmica por simulação para atender ao nível intermediário e
superior:
CgTT: Carga térmica total
RedCgTT: Redução de Carga térmica total
PHFT: Percentual de Horas de Ocupação dentro de uma Faixa de Temperatura Operativa
To máx: Temperatura Operativa Máxima
To min: Temperatura Operativa Mínima
Os resultados a seguir mostram, por cada cômodo/unidade habitacional, como a iluminação natural e a temperatura se adequam aos padrões normativos. Para avaliar isso, foi medida a quantidade de luz no centro de cada ambiente em lux (análise lumínica natural) e o tempo que a temperatura se manteve em uma faixa adequada em comparação com um modelo de referência (análise térmica).
4.1.
Identificação da nomenclatura dos ambientes e seus resultados normativos lumínicos
4.1.1.
Resultados do diagnóstico lumínico (NBR 15.575:2024)
*Indicação da percentagem de área de janelas em relação à área de piso (WFR – Window to Floor Ratio).
4.2
Resultados do diagnóstico termoenergético (NBR 15.575:2024)
4.2.1.
Avaliação do nível mínimo
4.3.
Resultados do comportamento da radiação solar no empreendimento
As imagens abaixo mostram o comportamento da radiação solar que incide sobre o empreendimento em diferentes perspectivas isométricas, esta é uma informação importante visto que as características de predominância da incidência de radiação em fachadas ou pontos específicos da edificação contribuirão com eventuais tomadas de decisão que visem melhorar o seu desempenho.
4.3.1.
Vista superior da incidência de radiação
4.3.2.
Vista isométrica 1
4.3.3.
Vista isométrica 2
4.3.4.
Vista isométrica 3
4.3.5.
Vista isométrica 4
4.3.6.
Vista superior da quantidade de energia solar incidente
4.4.
Cargas Térmicas Ideais
Abaixo estão listadas as cargas térmicas de climatização em momento de pico para cada ambiente do empreendimento. Esses valores podem ser utilizados para auxiliar o dimensionamento dos equipamentos de climatização.
4.5.
Conforto térmico (PHFT) por ambiente
Os valores listados abaixo indicam o percentual de horas em condição de conforto (PHFT), desconforto por calor (PHsFT) e desconforto por frio (PHiFT), segundo NBR 15.575:2024.
Com base nos resultados acima apresentados,
A tabela abaixo destaca para todos os ambientes de cada unidade habitacional da edificação avaliada segundo a metodologia lumínica da NBR 15.575:2024 os resultados percentuais de atendimento. Cabe um destaque para os resultados apresentados na tabela abaixo quanto ao padrão percentual dos níveis de atendimento, visto que condições com baixos percentuais de ambientes nos níveis mínimo e intermediário podem, a partir de pequenas intervenções, representar o atendimento integral ao nível superior. Ambientes enclausurados, conforme NOTA 2 da Tabela 22 da ABNT NBR 15.575:2024, não foram avaliados no escopo desta simulação.
Percentual de atendimento por nível para o Desempenho Lumínico
| Ambientes |
Quantidade |
Percentual de atendimento |
| Não atendimento |
Mínimo |
Intermediario |
Superior |
| SALAS |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| GOURMET(1) |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| LOFTS(2) |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| QUARTOS |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| SUÍTES |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| COZINHAS |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| LAVANDERIAS |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| BWCS |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| GARAGEM A(3) |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| GARAGEM B (4) |
- |
- |
100% |
- |
- |
| A. COMUM |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
| CIRCULAÇÃO |
0 |
0% |
0% |
0% |
0% |
(1) Gourmets são considerados para representar ambientes com sala e cozinha integradas, porém, seguindo a NBR 15.575:2024, as cargas internas e os padrões de uso de ocupação, seguem os indicados para o ambiente sala.
(2) Lofts são considerados ambientes de uso misto, integrando salas e dormitórios.
(3) GARAGEM A são garagens que possuem aberturas e/ou janelas.
(4) GARAGEM B são garagens que não possuem aberturas e/ou janelas.
A tabela abaixo destaca para cada unidade habitacional da edificação avaliada segundo a metodologia termoenergética da NBR 15.575:2024 os resultados percentuais de atendimento.
Percentual de atendimento por nível para o Desempenho Térmico
Referências
ABNT. NBR 15.215 – Iluminação natural - Parte 3: Procedimento de cálculo para a determinação da iluminação natural em ambientes internos . Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, Terceira edição, 2005a.
ABNT. NBR 15.220 – Desempenho térmico de edificações – Partes 1. Associação Brasileira
de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, Sétima edição, 2005b.
ABNT. NBR 15.220 – Desempenho térmico de edificações - Parte 3: Zoneamento bioclimático
brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, Sétima edição, 2005c.
ABNT. NBR15220-2 DE 02/2022 - Desempenho térmico de edificações - Parte 2 – Componentes e elementos construtivos das edificações — Resistência e transmitância térmica — Métodos de cálculo (ISO 6946:2017 MOD), Segunda edição, 2023.
ABNT. NNBR15575-1 DE 01/2024 – Edificações habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. Brasil. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Sexta edição, 2024.
DE SOUZA FREITAS, J.; CRONEMBERGER, J.; SOARES, R.M.; AMORIM, C.N.D. Modeling and assessing BIPV envelopes using parametric Rhinoceros plugins Grasshopper and Ladybug. Renewable Energy, 160, pp.1468-1479, 2020.
LI, D.H.; CHAU, T.C; WAN, K.K. A review of the CIE general sky classification approaches. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 31, pp.563-574, 2014
MACKEY, Chris; SADEGHIPOUR ROUDSARI, Mostapha. The tool (s) versus the toolkit. In:
Humanizing Digital Reality: Design Modelling Symposium Paris 2017. Springer Singapore,
2018. p. 93-101.
ROUDSARI, Mostapha Sadeghipour; PAK, Michelle. Ladybug: a parametric environmental plugin for grasshopper to help designers create an environmentally-conscious design. 2024.